10ª edição da MONSTRA arranca hoje em Lisboa


Arranca hoje a 10ª edição da Monstra – Festival de Cinema de Animação de Lisboa, que anima a cidade de Lisboa até dia 27, com curtas e longas metragens de animação de todo o mundo, desde retrospectivas a novidades em competição, de conceituados cineastas ou de jovens estudantes, e ainda exposições, masterclasses, e outras actividades e espectáculos.

A edição deste ano tem a Holanda como país convidado e oferece um olhar sobre o actual cinema japonês, saúda a animação dos estúdios Ghibli, celebra os 20 anos do Animanostra e reúne filmes “curtíssimos” numa nova secção competitiva.

Sendo esta edição dedicada ao cinema de animação da Holanda, integra vários ciclos de filmes holandeses, nas secções Experimental, Histórica, Mulheres, Jovens Talentos, Animação e Música, Estúdios e Produtores, Il Luster (Produtora), NIAF (Instituto de Animação dos Países Baixos), e Retrospectivas de Gerrit van Dijk, Paul Driessen e Michael Dudok de Wit.

Na retrospectiva de homenagem aos famosos Estúdios Ghibli (fundados em 1985 por Hayao Miyazaki, Isao Takahata e Toshio Suzuki), serão exibidas 6 longas-metragens, entre elas 4 de Miyazaki: My Neighbor Totoro, Princesa Mononoke, Laputa: Castle in the Sky e Porco Rosso.

A animação nipónica estará ainda presente numa outra retrospectiva do Japão centrada em cineastas da geração actual, com nomes já promissores ou jovens desconhecidos.

Outra retrospectiva focar-se-á na filmografia de Jacques Drouin, com a sua obra completa em pin screen. O realizador vai estar presente no festival para um workshop e uma masterclass, e será exibido um documentário sobre a sua vida e obra. Também Georges Sifianos e Monique Renault terão o seu trabalho em retrospectiva, em duas sessões sob a secção “Best of Jury”.

O Animanostra, o mais antigo estúdio português de cinema de animação, celebra 20 anos e terá também destaque no festival. Outros destaques vão para o Onda Curta, Animadok e E-Magiciens. Numa retrospectiva intitulada “Best of the World” reúnem-se 4 longas-metragens e 4 sessões de curtas, e em “Escolas do Mundo” são representadas 3 escolas. Os grandes Clássicos do género serão igualmente homenageados, entre eles Dumbo e Branca de Neve e os Sete Anões.

Em 2011, ano ímpar, a competição oficial é dedicada às longas-metragens (em anos pares a competição pertence às curtas) e foram escolhidas oito obras de oito países diferentes.

São elas O Mágico de Sylvain Chomet, nomeado para o Óscar, o sinistro Metropia de Tarik Saleh, passado entre os túneis subterrâneos de uma Europa sem petróleo, Chico & Rita (de Javier Mariscal, Fernando Trueba e Tono Errando), uma história de amor ente dois jovens músicos na Cuba dos anos 40, Ugly Duckling, a história do patinho feio contada pelo russo Garri Bardin em modo comédia-musical, Summer Wars de Mamoru Hosuda (vencedor de melhor animação nos prémios da Academia japonesa e do prémio Pais & Filhos no Indielisboa), protagonizado por um jovem génio matemático cuja tentativa de resolver uma equação causa a colisão de um paralelo mundo virtual com a Terra, Technotise: Edit & I (de Aleksa Gajic, Nebojsa Andric e Stevan Djordjevic), que conta a história de uma estudante em 2074 que após alguns exames chumbados implanta um chip de memória, começando a acontecer-lhe algo estranho, Piercing I, de Liu Jian (vencedor de melhor longa-metragem no Cinanima), uma história contemporânea com seio na recente crise financeira, e Life without Gabriella Ferri, de Priit Pärn, convidado na última edição do festival.

O Júri é constituído por Georges Sifianos, Piotr Dumala, Monique Renault, Pedro Serrazina e Manuel Tentúgal. Mas também as curtas-metragens competem, e na habitual Competição de Estudantes marcam presença 85 filmes (escolhidos de entre 700) de estudantes de todo o mundo.

A nova secção competitiva, intitulada Curtíssimas, restringe-se a filmes de duração inferior a dois minutos (pois segundo Fernando Galrito, director artístico do festival, “é possível contar uma boa história em menos de dois minutos”), que se reúnem assim nesta competição que procura divulgar pequenas pérolas que de outro modo dificilmente se dariam a conhecer. Foram seleccionados 60 filmes de cerca de 150 concorrentes.

Para os mais pequenos, está de volta a Monstrinha, com as sessões para crianças dos 3 aos 6, dos 7 aos 12, maiores de 13, ou Pais & Filhos. Da parceria com a Comissão para as Comemorações do Centenário da República surgiu o projecto MixRepública, e estreará no festival um filme de 10 minutos feito por vários artistas nacionais (mais de 70, de entre realizadores, animadores e músicos) sobre a arte na I República: 10 por Cem.

Querendo exemplificar a Tansversalidade entre áreas artísticas, a Monstra presenteia-nos com os tradicionais concertos e novidades experimentais, com espectáculos que aliam a animação à dança ou ao jazz. A Fábrica, a apresentar na sessão de Encerramento, cruza dança com animação e é resultado de um workshop promovido pela coreógrafa Marina Frangioia e por Fernando Galrito. Vários cine-concertos de jazz e um concerto de Noiserv serão outros dos espectáculos promovidos.

As Exposições integram mais uma vez a programação e as principais encontram-se no Museu da Marioneta, de 24 de Fevereiro a 30 de Abril, com as marionetas e os cenários originais do filme francês Toile de Front/ Fire Waltz, de Marc Mènager e Mino Malan, e os bastidores de Dodu, de José Miguel Ribeiro.

Como é já habitual, a Monstra aproveita a presença de vários convidados para realizar workshops e masterclasses em torno do cinema de animação (alguns com início já antes do arranque do festival), e algumas técnicas de animação (como pinscreen e processing) serão demonstradas nestes encontros do público com diversos autores. A informação sobre essas masterclasses e workshops está disponível no site oficial.

A Monstra procura superar os cerca de 17 mil espectadores da última edição, nesta mostra que se consolida de ano para ano ao nível do público e, disse Fernando Galrito, “O que queremos é ultrapassar as fronteiras do ecrã. Somos  embaixadores do cinema de animação português”. E com certeza superar-se-ão mais uma vez, fazendo as delícias dos entusiastas da Animação e conquistando curiosos, neste festival que é o mais antigo da cidade e um autêntico universo de descoberta do Cinema de Animação, crescendo a cada ano.

A Monstra estará à solta em Lisboa no Cinema São Jorge, Cinema City Alvalade, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu da Marioneta, Museu Nacional de Etnologia, Teatro Meridional, Escola Secundária D. Dinis e FNAC, e a visita recomenda-se!

Mais informações em www.monstrafestival.com e no facebook da Monstra 2011.

Por Sara Peralta

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